domingo, 19 de agosto de 2007

O Telespectador

''A cada três segundos morre uma criança na Africa... plec" Minha TV me disse isto, eu assitia TV toda vez que voltava de meu trabalho, eu tinha uma casa não tão luxuosa mas habitavel, eu tinha um carro, eu tinha um emprego. Eu comia no fast-food, des de que eu sai da casa de minha mãe eu não tinha uma refeição descente, não tinha tempo, trabalhava muito.
Era sexta, era sabado, era domingo, a repartição funcionava normalmente, e eu funcionava normalmente, eu era uma maquina, eu era um trabalhador, eu era... Quem eu era?
A pizza esfriou, a TV não desligava nunca, não tinha esse poder, não tinha o poder de apertar "Power" e ver a TV morrer. Meu sangue era de fast-food e café, eu nem lembrava mais o gosto da água.
Meu chefe me deu relátorios para amanha, hoje é domingo.
Eu estava lendo um artigo sobre carros importados e seus acidentes, eu li este artigo? Eu sei ler? Ah, eu li enquanto estava comercial... Por que mesmo eu comprei esta revista? O artigo dizia que carros sport pegavam fogo quando capotavam.
"A cada três segundos uma criança morre na Africa... Plec", dizia a TV, a cada três segundos eu perco três segundos de vida. Minha vida é isso, trabalho casa, casa trabalho, eu não sei mais o que é vida, para mim é só isso.
Outro dia eu fiquei bebado... Tomei muita cerveja, eu tinha seis caixas na geladeira que eu guardei para meu aniversário, mas eu não lembrava o dia que eu nasci e elas ficaram lá. Eu bebi, bebi, bebi, bebi e dormi. Essa foi minha festa, esse era um nascimento de um bebê que vai morrer daqui a uma noite.
Meu chefe comprou um carro sport, fiquei com inveja eu tambem queria o meu carro sport para eu deixar-lo na garagem.
- Oi, como vai?
- Ehhh, tudo bem e você?
- Tudo - essas eram minhas conversas no Msn, essas eram as meninas que eu conhecia no msn que eu não tinha assunto, que eu não tinha nada para falar, que eu era um solteirão de... Quantos anos mesmo?
Meu resumo da ópera era de seiscentas páginas, meu resumo de minha vida não cobria uma linha inteira.
Meu chefe morreu, seu carro capotou e ele morreu carbonizado, onde eu vi que carros sport não podiam capotar?
O enterro foi dramático, sua mulher chorava com seus dois filhos, o pessoal da repartição chorava, o padre não chorava ele rezava, todo mundo chorava menos eu, eu não sei chorar. O caixão teve que ficar toda hora fechado porque o corpo ficou muito feio, o reconheceram com DNA, então não puderam ver pela ultima vez os seus ossos negros cortando a pele que desintegrava, os seus olhos estralados que pareciam ovos, os seus dentes queimados e pretos, os seus orgãos internos, não puderam ver pela ultima vez.
Eu fui nomeado chefe da repartição, meu salário triplicou e eu não tinha mais tanto trabalho para fazer.
Minha vida não mudou, mas tinha uma novidade, eu comprei uma TV nova. Eu chegava mais cedo e ficava assitindo, vendo, olhando aquele mundo, aquele estado vegetativo, aquilo que vendiam para mim.
"Carros sport é aqui com nosco" fiquei com vontade de comprar um carro sport.
"uma criança morre a cada três segundos na Africa... Plec" Eu morro a cada três segundos. Eu morria todo dia, eu era as crianças na Africa morrendo de fome, mas minha fome era outra, era fome de conciencia, eu era um drogado, eu era um drogado por TV, eu era um viciado, eu não viva, eu nao sorria, eu mudava de canal.
Comprei um carro sport, era rapido, era veloz, era bonito, me fazia sentir como aqueles caras do filme, aqueles caras do comercial que pegam mulheres, que são os machos. EU não era isso, eu era apenas um... Chefe, uma criança na Africa que morre a cada estalar de dedos, Bono era um assassino porque ele estalava os dedos para as crianças morrerem.
Meu celular tocou, era três da manha, minha mãe... Eu tinha mãe?
Meu carro era muito bom, eu tinha uma direção muito leve com ele, ele tinha porta copos, ele era o maximo, ele era eu, eu era o cara, eu gostava de tudo, eu achei um maximo quando ele capotou, eu achei um maximo vendo ele pegar fogo e eu assar como um peru no forno, eu achei um maximo morrer em três segundo... Eu nem gritei, eu só desliguei o rádio por que ele era caro e o cd poderia derreter dentro dele, eu adorei queimar, eu adorei morrer aos poucos, vendo minha carne virar cinza, eu adorei, adorei, adorei, adorei.
EU estava me libertando de meu vicio (eu adorei) eu poderia deixar a TV de lado (eu adorei) não me importava queimar ali e morrer (eu adorei) não me importava nada (eu adorei) eu só queria estar morrendo e deixar de assitir TV (eu adorei).
Minutos depois eu era parte do carro, eu era metal derretido, eu era carne queimada. Ironicamente começou a chover, eu vi os bombeiros e a âmbulancia chegando e tirando o meu corpo das ferragens, meu corpo desintegrou na mão do legista e virou dois, minhas tripas escorreram na estrada, o legista era friou, apenas recolheu e jogou no balde.
Eu ia em direção a luz (eu adorei) eu via a luz(eu adorei) nada me preocupava (eu adorei) eu era livre da TV (eu adorei) eu me perguntava: Será que no céu tem televisão?

"Uma criança morre a cada tres segundos na Africa... Plec"
" O problema dos carros Sport, eles tem bombas de combustivel que explodem se estiverem inversas podendo causar incendio, tome cuidado na estrada e mande seu mecânico revisar as bombas para ver se não tem este tipo de problema"

"Compre!"
" Peça pra a mamãe comprar"
" Peça pra voce comprar"

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Myke no país das ilusões

A imagem daquela flor negra era ruim, era tudo que eu não tinha, era uma imagem feia e inscensivel sobre uma flor negra que não foi plantada, nem sequer existe, mas está lá, no mundo infinito.
Myke me contou seu sonho, nele haviam dois homens fortes que brigavam entre si, um saca uma arma e atira para cima e depois voltam a brigar. Myke é um garoto gordo, louro, feio, com oculos, com uma leve deficiencia (ele é daltonico).
Myke era gordo, Myke era feio, Myke nunca fizera nada de mais com garota nenhuma, Myke gostava de quadrinhos, essa era a vida de Myke, um garoto de quantos anos mesmo? Que vivia sentado no sofá comendo Cheetos, assitindo TV, lendo quadrinhos do Super-Homem, indo ao MCDonalds, tomando Coca-Cola, comento Cheetos, tomando Coca Cola, comendo Cheetos.
- Se você pudesse sair da sua mente, para onde voce iria?
Myke nem me ouve, seu apartamento é um lixo, muitas embalagens de comida esparramadas pelo chão, havia latas de Coca-Cola para todos os lados, Havia... Myke não ligava para o que penso, o importante era o que passava na TV
- O que faria se você fosse morrer amanha?
A familia de Myke era normal, obrigou-o a estudar (Myke é engenheiro) obrigou Myke a ser feliz, só que ele falhou nisto tambem... Myke não tinha nascido, ele era só um fruto dos anucios e das gororobas que são vendidas livrementes, das drogas diarias, das fitas pornograficas, Myke era um mesclado de tudo isso e mais um pouco, era como derubar soda no teclado.
- Myke tá na hora de arranjar emprego! - disse sua mãe.
- Myke, você deveria se casar - diz seu pai.
- Myke, você está muito gordo - dizia seu irmão.
- Myke, você é um Inutil - dizia seu patrão.
Myke não gostava de nada, Myke não era nada, Myke não tinha força de atrito nem força de propução, Myke era a inercia.
Já faz dez dias que o Myke não sai de seu apartamento, no mundo High-Tech ninguem precisa. Myke inventou de comprar uns peixes e um aquário, todos estão mortos hoje mas Myke nem liga.
"Compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre, compre" Essa é a poesia da atualidade, a poesia da burguesia, a poesia da azia, a poesia capital. Myke não liga para isso, Myke não gosta de poesia, Myke só assite TV.
- Myke esta se sustentando de que se não trabalha? - pergunta sua mãe. Myke não responde, comessa a comer seu hamburguer.
O telefone de Myke toca, ele não ouve, ele está contemplando a rosa negra que apareceu na tela de seu computador. A rosa negra era Myke, seu computador era Myke, a unica coisa que não era Myke era o proprio Myke.
"As visões do futuro
Batem de frente num muro
O passado agora não existe
O presente de teimoso persiste
Nada mais é importante
Quando viramos objetos
Em nossa propria estante"

Myke odiava poesia, ele acreditava que tudo que não pudesse ser um programa de tv não era importante, tudo que não era importante estava fora da tv, da internet, dos pacotinhos de salgadinho comprados com dinheiro de sua mãe.
Myke comprou um carro, ele se sentia só, precisava de uma namorada, precisava gastar seu dinheiro, precisava sair em alta velocidade para se sentir vivo porque não mais era um ser humano racional e se tornara apenas mais uma marca no mercado
Myke hoje descubriu que está morto, ele bateu o carro na garagem, sofreu de depressão por isso e atirou na propria cabeça com uma espingarda. Myke não morreu no momento que seus miolos caiam ao chão e se confundiam com os restos de Cheetos e de Coca-Cola. Myke morrera no instante que nascera, Myke morrera no instante que parou de pensar, ele deixou de existir. O consumo de Myke o levou a destruição as coisas que ele possuia acabaram o-possuindo, ele era a garotinha do filme exorcista, que vomitava em padres, no caso de Myke, vomitava Cheetos, ele vomitava nos padres que eram seus neuronios, ele vomitava nele mesmo, ele vomitava na vida que poderia ter, nas mulheres que deixou de conhecer, no ar que parou de respirar, na vida, na morte, no suco gastrico. Myke agora é sou um cadaver que perdera seu unico dom, o da vida, que creio que o proprio Myke já tinha perdido.
Myke agora goza de sua ultima marca famosa: A marca do seu Caixão

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Primeiros Gritos.

O que é um grito? Vocês sabem o que é um grito? A resposta de muitos seriam: "quando elevamos o volume de nossas vozes" . Um grito não é apenas gritar, um grito significa transformar sua furia em ondas sonoras, transformar o que você pensa, o que voce sente, o que voce acha, o que voce lembra em um som, um unico som que pode ser uma unica vogal (AAAAAAAAAAAAAA) ou uma palavra ditada em som mais alto, isso não exclui a afirmação da maioria das pessoas sobre o grito.
Usando este primeiro post que chamarei daqui em diante de grito, esclarecerei algumas coisas. Sobre o nome de Rhuan Ramone eu postava opiniões minhas e apenas isto, sem nenhum mais sem nenhum menos, não falo que minha opinião estava errada só digo que a minha opinião era apenas um vacúo. Agora sobre o nome de Rhuan Rousseal (em homenagem ao filosofo Jean-Jaques Rousseal) não apenas transmitirei opinião como criarei personagens, histórias que possam fazer su cérebro funcionar, sua vista limpar seu sangue correr e te fazer gritar. Agora como um novo usando trajes velhos ou como um velho usando trajes novos, digo, repito, coloco em pauta assuntos que não ousariamos dizer em publico, ou talvez sim, então seus gritos e opiniões são importantes para mim.
Este grito, não é um grito de sofrimento nem um grito de desespero muito pelo contrario é um grito de luta, que quer dizer que ainda não morremos, que ainda respiramos.
"disestes que se tua voz tivesse força igual a imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a sua casa mas a vizinhança inteira" (há tempos, Renato Russo)
Para terminar este grito, agradeço a todos que leiam as bravatas que lanço nesta rede e agradeço a todos que tambem transmitirem suas opinões. Obrigado, e que comece a gritaria"